A hora do Mancuello

Desde o momento em que foi confirmada a contusão de Éderson, que a possibilidade de utilizar Mancuello no time titular do Flamengo cresce. Seria a oportunidade perfeita para testar Alan Patrick e o argentino jogando juntos no meio campo e esquecer de vez Éverton, Fernandinho, Gabriel e cia. Se encaixasse bem, teríamos uma dupla de meias de dar inveja a muito clube no Brasil, já que muitos mal tem um bom meia, quem dirá dois.

Porém infelizmente, tivemos ontem a triste notícia a respeito da contusão de Alan Patrick, ficando impossível testá-los juntos na próxima partida. Com isso, passa a ser inimaginável a não utilização do meia argentino neste jogo. Mancuello é o jogador do elenco que mais se aproxima das características de Alan Patrick de organizar as ações ofensivas do time. Entrar em campo sem nenhum meia que tenha a mínima capacidade de criar oportunidades de gol seria o mesmo que tentar operar uma locomotiva sem um maquinista.

O meia ex-Independiente tem qualidade e já mostrou que pode ser muito útil ao Mais Querido. Ainda na época do Muricy, teve uma sequência de bons jogos, apresentando um belo repertório de passes, chutes e cobranças de falta. Porém, acabou se contundindo e ficou de fora da equipe por um período considerável. Consequentemente, perdeu a vaga no time titular após a entrada de Zé Ricardo no comando e andou ficando fora até mesmo do banco de reservas.

Visando a próxima partida contra o Atlético-MG, o treinador rubro-negro testou diversas formações táticas. De forma preocupante, Mancuello apareceu como titular em apenas um desses testes. Já em outra possibilidade, foi escalado um trio de deixar em pé até os cabelos de rubro-negros carecas: Éverton, Fernandinho e Cirino. A utilização desses três “velocistas” na mesma equipe só seria válida se fosse para uma disputa de 4 por 100 metros rasos no atletismo. Acrescente Gabriel a esta equipe e brigaríamos por medalha nas Olimpíadas.

Um time sem meias é um time sem criatividade, sem capacidade de criar oportunidades de gol. Esses chamados atacantes de lado de campo são, na melhor das hipóteses, jogadores que aparecem se infiltrando em velocidade na zaga adversária para receber um passe. Entretanto, se só tivermos esses “velocistas” em campo, quem será o autor destes passes? Quem irá enfiar a bola para esses jogadores passando em velocidade?

Mancuello pode não ser um camisa 10 clássico, mas sabe fazer o chamado passe vertical, que deixa um companheiro em condições de fazer o gol. Se for para o jogo e conseguir apresentar um bom futebol, o argentino merecerá receber mais oportunidades e quem sabe até permanecer no time titular, mesmo após a volta de Alan Patrick.

Essa é a hora de Mancuello entrar, ganhar sequência e mostrar que realmente vale o investimento de R$12 milhões. Essa é a chance dele provar que não mereceu ficar esse tempo todo sentado no banco de reservas, vendo jogadores como Cirino, Gabriel e Éverton ganharem inúmeras oportunidades.

Curtinhas pós e pré-jogo:

Corinthians 4 x 0 Flamengo – Jogamos bem e fomos melhores até sofrermos o primeiro gol. A partir daí, o time se perdeu de forma assustadora e quase virou um “Brasil x Alemanha”. O time sentiu falta daquele cara que reuni todo mundo, dá três ou quatro gritos e bota a equipe ligada no jogo novamente. Este não teria sido um dos motivos da recente contratação de um novo gerente de futebol com perfil de liderança?

Flamengo x Atlético-MG – Pode representar um divisor de águas para o Flamengo no campeonato. Se ganharmos, continuamos lutando por vaga no G4. Se perdermos, nos afastaremos um pouco dessa briga e ficaremos apenas perdidos pelo meio da tabela. Aposto em Mancuello titular e fazendo boa partida. Além disso, deve ser definido de vez a situação de Zé Ricardo no comando do clube. Viva a péssima cultura do futebol brasileiro de avaliação de trabalho apenas por resultado.

Bruno Petrocelli

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